Rodadas da alteração da carga sob efeito coronavírus

EFEITO CORONAVÍRUS

Desde meados de março, o coronavírus vem se espalhando pelo mundo. Atualmente, ele já atingiu todos os continentes. O país com maior número de casos confirmados é a China, no entanto, a Itália é o onde ocorreu o maior número de mortes.

Por causa da fácil disseminação desse vírus, muitos países estão entrando em quarentena, o que significa que somente serviços essenciais como industrias, farmácias e supermercados poderão continuar abertos. Além disso, para evitar contaminação entre seus colaboradores, muitas empresas entraram em regime de Home Office ou adotaram férias coletivas.

Essas mudanças no comportamento populacional influenciam na demanda energética, que tende a cair no mundo inteiro. Na Itália, exemplo de país que decretou medidas drásticas de controle populacional, a demanda de energia sofreu redução de, aproximadamente, 17% entre a primeira e terceira semana do mês de março. A primeira semana teve um consumo de 6.199,1 GWh, enquanto que, na terceira, a carga foi de 5.146,7GWh. Essa diferença pode ser vista na figura 1, que apresenta o comportamento da carga no mês de março nos anos de 2019 e 2020.

No Brasil, a expectativa é que a demanda por energia seja reduzida no país nas próximas semanas, uma vez que o consumo industrial e de serviços será limitado ou, até paralisado em alguns estados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1: Comparativo da carga da Itália no mês de março. Fonte dos dados: Terna

Além da redução do consumo de energia, o coronavírus desencadeou a queda no preço do petróleo. Na última reunião da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a Rússia e Arábia Saudita não entraram em acordo sobre a diminuição da produção de petróleo devido à redução na expectativa de crescimento da demanda global, causada pela disseminação do COVID-19 e consequente, redução nas viagens globais. Por esse motivo, o preço do petróleo WTI atingiu o valor de $22,11 por barril, no dia 22/03/2020, o que representa uma queda de, aproximadamente, $30,00 por barril, em comparação com o valor cotado em 24/02/2020.

Por todos os motivos citados acima, o governo brasileiro reduziu a expectativa de PIB de 2,1% para 0,02% em 2020. Assim, o esperado é que o ONS, junto com a EPE, também reduzam a expectativa de crescimento da carga para os próximos anos.

A fim de oferecer aos nossos clientes diversos cenários possíveis, a Energy Price fez estimativa de preço para os próximos 12 meses considerando quatro cenários.

 

DESCRIÇÃO DA RODADA DE ALTERAÇÃO NA CARGA

A partir de simulações que utilizam uma rodada de Newave para o mês em questão (Maio/2020) e considerando 4 (quatro) possíveis revisões da carga para todo o horizonte, obtém-se o Estudo de Cenários de alteração da carga.

As revisões são:

  • Redução de 1% da carga em todo horizonte do Newave;
  • Redução de 3,4% em 2020 e -1,5% no restante do horizonte Newave;
  • Redução da carga em -6% em 2020, de -3% em 2021 e de -2% no restante do horizonte do Newave;
  • Redução da carga em -14% em 2020, de -6% em 2021 e de -2% no restante do horizonte do Newave.
VALOR ESPERADO
Energia Natural Afluente

Energia Natural Afluente (ENA) com valor esperado (VE) para o final de abril e início de maio.

 

 

 

 

  1. ALTERAÇÃO DE -1 % NA CARGA

 

 

 

 

 

 

  1. ALTERAÇÃO DE -3,4% NA CARGA EM 2020 E -1,5% NO RESTANTE DO HORIZONTE NEWAVE


 

 

 

 

 

  1. ALTERAÇÃO DE – 6% EM 2020, DE -3% EM 2021 E DE -2% NO RESTANTE DO HORIZONTE NEWAVE

  1. ALTERAÇÃO DE -14% EM 2020, DE -6% EM 2021 E DE -2% NO RESTANTE DO HORIZONTE DO NEWAVE

  CONCLUSÃO

A Energy Price está trabalhando com o cenário 2 e com probabilidade menor de um cenário 3, visto que as indústrias, o setor agroindustrial e alguns serviços essenciais continuarão com as suas atividades normalmente.

Quando ocorre uma crise e a queda no consumo de energia, há mudanças de padrão. Como foi observado na crise energética de 2001, quando muitas industriais investiram em cogeração e em usinas próprias deixando de consumir energia na rede básica. Outra crise mais recente foi a de 2008/2009, quando a crise financeira avassalou o mundo, e muitas industrias fecharam as suas portas ou tiveram que reduzir os custos de maneira drástica, e um deles foi energia, e novamente houve investimentos em maquinários mais eficientes energeticamente, trocas de lâmpadas nas fábricas e os primeiros investimentos em placas solares para o consumo.

Há indícios que essa crise não será diferente para o setor energético, novos padrões serão aderidos, como algumas desmobilização de escritórios para Home Office, fechamento de alguns comércios e industrias, alteração no perfil de consumo do residencial e até possíveis investimentos em placas solares por estarem mais tempo em casa.

Devido ao exposto, percebemos que o retorno do consumo elétrico não é imediato, e pode demorar de 2 a 5 anos para retornarmos a mesma carga verificada antes da crise.

Maiores informações : Deborah Silva; telefone:  📲 (11) 97353.1758  ; deborah@energyprice.com.br.